Sobre a Loja

História da A.’.R.’.B.’.L.’.S.’. Estrela da Lapa nº 7

Escrever a história da Augusta Respeitável e Benemérita Loja Estrela da Lapa n.º 7 é uma tarefa árdua, pois a história da Loja está profundamente integrada com a própria história da Sereníssima( hoje não é mais sereníssima) Grande Loja do Estado de São Paulo e a própria história da Maçonaria do Brasil, sem mencionarmos ainda a riqueza de fatos e sem contarmos que sua fundação vem de muito antes da Grande Loja do Estado de São Paulo.

A Loja Estrela da Lapa originariamente foi fundada sob a jurisdição do Grande Oriente do Brasil, em 1º de junho de 1902, obedecendo ao grande Oriente do Brasil com sede no Rio de Janeiro, à rua do Lavradio, 97 e trabalhando na rua Tabatinguera, 74 – São Paulo. Adormeceu durante o período da Primeira Guerra Mundial, entre 1915 e 1916, pois durante a guerra, os irmãos de origem estrangeira,em face de suas situações ambíguas em nosso meio social que era completamente heterogêneo, viram-se forçados a ficar afastados da vida maçônica, o que ocasionou o abatimento de muitas oficinas antigas, pois surgiram no meio dos irmãos correntes partidárias em favor e contra o Nazismo e o Facismo, o que também afetou nossa oficina.

Em 23 de outubro de 1923, foi rerguida e passou a trabalhar no templo da Loja Piratininga.

Decisão importante, porém, foi tomada pela Loja Estrela da Lapa, em 1927, quando cerrou fileiras com outras Lojas, como Loja Prudente de Moraes, Loja Perfeita Amizade, e outras co-irmãs e fundaram a Grande Loja do Estado de São Paulo, no movimento liderado por Mário Behring.

Após um período de afirmação e realizações para a Sereníssima Grande Loja do Estado de São Paulo, agora com vida e constituição própria. A Loja Estrela da Lapa, agora acrescida em seu nome Benemérita e do n.º 7, número de ordem da constituição da Sereníssima Grande Loja do Estado de São Paulo.

Foi quando ocorreu um fato na história do Brasil, que não só influiu na própria história do país, mas também de forma inapelável para a Loja Estrela da Lapa n.º 7. O então presidente da República do Brasil, presidente Getúlio Vargas, fechou o Congresso Nacional em 10 de novembro de 1937 e com a imposição da nova Carta Constitucional estabeleceu um regime semi-ditatorial, que se tornou conhecido como Estado Novo.

Medidas enérgicas foram colocadas em prática pelo Estado Novo, que infelizmente para a maçonaria que já havia sido minada pelos integralistas, que como em nenhum governo totalitário,também não poderiam tolerar a maçonaria, pois como julgar o direito de pensar “livremente”. Pois foram esses integralistas que no dia 1º de novembro de 1937 tinham feito no Rio de Janeiro o famoso “Desfile dos 50.000 camisas verdes “os mesmos elementos que, com muita facilidade conseguiram espalhar entre os seus adeptos o boato que também no Brasil tinha sido proibido a maçonaria. Então, como podemos perceber, a maçonaria estava sendo perseguida, pois se aproveitado dos boatos muitos governos estaduais francamente integralistas realmente mantiveram fechados os Grandes Orientes Estaduais e as Grandes Lojas Estaduais,bem como todos os jurisdicionados.

A Loja Estrela da Lapa n.º 7, com seus IIr. também ficaram na expectativa, aguardando os acontecimentos para saber como agir.

Foi então que aconteceu um fato desastroso para a Loja Estrela da Lapa n.º 7. Com todos esses desencontros de informações e como medida cautelar, o venerável da Loja e vigilante retiraram toda documentação maçônica, a qual ficou sob a guarda do então venerável. Porém ocorre o imprevisto, nosso irmão veio a passar para o oriente eterno.

Nossa cunhada e sobrinhos ficaram apavorados com toda aquela documentação, que até então se julgava comprometedora e se desfizeram incinerando-a, e fazendo toda nossa história tornar-se cinzas.

Mas o tempo foi passando e só quando o Gr.’.M.’. General Moreira Guimarães, sabendo que o General Newton Cavalcanti estava pressionando o Presidente Getúlio Vargas para fechar a Maçonaria com o que este não concordou, apesar de Outros elementos solicitarem as mesmas providências. Entrou em contato com o General Protávio Vargas, maçon, e irmão do presidente Getúlio Vargas, pedindo a este que se proibisse a pressão à Maçonaria no interior.

Foi quando em 6 de janeiro de 1938 o General Meiras de Vasconcellos declarou publicamente “nunca fora dada ordem oficial para o fechamento da maçonaria” e esta notícia foi no mesmo dia transmitida quatro vezes na hora do Brasil (Programa de rádio obrigatório) através do seu locutor Faria Neto.

Como vimos, o mal`infelizmente já havia se arraigado no seio da Maçonaria. Principalmente com o infeliz acontecimento em nossa Loja Estrela da Lapa n.º 7, nossos irmãos ainda um tanto temerosos e a Sereníssima Grande Loja do Estado de São Paulo, em nada se manifestando, e outros fatos, como o de repetido o de 1914 a 1919 eis que já nos encontrávamos no início da Segunda Guerra Mundial, os motivos, os mesmos, os irmãos tornando partidos, desavenças formadas, e ainda o agravante da iminência participação do conflito, fato que infelizmente aconteceu. Os irmãos da Loja como de quase toda população não possuíam um ambiente harmonioso, pois muitos de nossos irmãos, ou eram estrangeiros o “oriund” (descendentes). Portanto, novamente a Loja Estrela da Lapa nº 7 adormeceu, só que desta vez por um período mais longo.

Mais uma loja com raiz tão profunda como a própria maçonaria do Estado de São Paulo não poderia permanecer inativa indefinidamente. Foi então que um grupo de irmãos entre os quais alguns remanescentes da Loja Estrela da Lapa n.º 7 tais como Irm\ Ernesto Zuanella, Irm\ Dante Zuanella, Irm\ Vidal Gomes da Costa, que pertenciam ao antigo quadro de obreiros, juntaram-se a outros irmãos e em 10 de outubro
de 1968 foi novamente restaurada em prol da Maçonaria, recebendo o antigo cadastro n.º 7 da Sereníssima Grande Loja do Estado de São Paulo (decr. nº 122), e passou a trabalhar à rua João Pereira, 115 – Lapa

A Loja Estrela da Lapa n.º 7 fez e ainda continua a fazer história, pois em seu quadro que conta com obreiros que abnegadamente e incansavelmente operam em favor da Maçonaria de São Paulo e do Brasil. Hoje com sede própria muito bem instalada à rua João Pereira, 115 o correto é Rua Dronfield nº298- Lapa e reuniões às quartas feiras, a Loja Estrela da Lapa n.º 7 tem a certeza de que é uma força viva, sob a jurisdição da Sereníssima Grande Loja do Estado de São Paulo, pois como entidade filantrópica é atuante e operativa, respeitada e participante de todos os eventos significativos do bairro da Lapa e da Maçonaria em geral.

Como dissemos no início, falar da Augusta Respeitável e Benemérita Estrela da Lapa n.º 7 é falar da história da Sereníssima e Grande Loja do Estado de São Paulo, é falar da História do Brasil, é portanto falar da Maçonaria do Brasil.

O que narramos foi a história da Augusta Respeitável e Benemérita Loja Estrela da Lapa n.º 7, mas como em toda história, são apenas fragmentos do que realmente se passou, pois toda história viveram nossos irmãos que ajudaram a construir nosso país e nossa Estrela da Lapa n.º 7.

Trabalho pesquisado e elaborado pelo Ir.’. João José Rocha Jr.
Revista Loja Estrela da Lapa nº 7 / Mar 2003

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